Um ser humano enlatado
Se põe apertado inteiro
Subjascendo no canteiro,
Se achando um algo encantado.
Vive agourado pelos cantos,
Esperando a madrugada.
Nos dias de lua apagada,
Vem o medo e morre um tanto.
Passa a vida no buraco,
Esperando o dia certo,
Aproveitando o que jaz por perto.
Num raio de esperança fraco.
Esse homem dependurado,
É o mesmo que quando brota
Se esconde atrás da porta
Com medo do tempo passado.
Um dia, apaixonado,
Compõe uma ciranda quietinha
Pra dizer pra vida mesquinha
O quanto andou cansado.
Mas a crueldade da lua
O lembra, à luz forte,
Que a lata era a própria sorte
Daquele que brota na rua.
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