Sábado, Dezembro 17, 2011

Quando a gente acha que aprendeu

Quando a gente acha que aprendeu, falou demais. Mostrou demais aquele pedaço da alma da gente guardado só para os gatos. Quando a gente acha que aprendeu, amou demais. Pediu desculpas demais. Relevou demais e se pega pensando na bruteza de adiantar trabalhos no primeiro dia de férias. Às vezes a gente esquece...relaxa, abre todas as portas e janelas, deixa o mundo entrar no nosso corpo e sintetiza as premissas sem radicalizar, para que ele não saia correndo. Então, uma bela noite, você chora, chora, chora muito. É o terceiro filme que viu durante o dia e a segunda máquina de roupa suja lavada. É a casa arrumada, o trabalho de merda. É a violência cotidiana da rua cansando os pulmões, é a asma. São os planos e os sonhos varridos para baixo do tapete. Os livros que já não são tão presentes. São as saudades e a solidão. Sim, eu sofro de solidão crônica. A rua está cheia de gente e o ar suspende uma poeira de chumbo. É a asma, é o chumbo, é sonho e é paciência demais. Uma bela noite, você chora por tudo e por nada. Você chora do lado de dentro da casa, chora na rua, deitado, de pé, antes de dormir e quando acorda. Então, quando você acha que aprendeu que chorar não vai trazer seu avô de volta, chorar não atrai abraços, não conserta guarda-chuvas, não desarma crueldade, você chora. E é nesse dia que você aprende de novo que todos estão sós, sobretudo quando fecha a noite com um consolo do tipo "Você vê mesmo sua mãe em tudo". Então, promete para si que não vai chorar em público de novo. Muito menos abrir a janela e as portas da casa, deixando qualquer um entrar.

0 comentários: