Sábado, Dezembro 10, 2011

PAC MAN

Tem um senhor distinto que todos os dias senta no degrau da casa amarela e penteia repetidamente a barba e as sobrancelhas, munido de um espelhinho. Um terno velho, um sapato sem a ponta. Às vezes ele senta na calçada do armarinho ou no degrau do prédio da esquina. São Paulo é o poço mais profundo das vaidades que valém 10 reais a hora, mas, num canto da rua, tem sempre alguém mantendo sua dignidade dentro da loucura necessária à passividade.
Então passa o mano da Bela Vista, munido de seu Pit Bull vira-lata e da gatinha com uma blusa imperceptível, tropeçando na distinção de outra geração. E as crianças com uma bola velha do corintians chutando a modorra da vida. Eu não sou daqui, mas, como todos, vou comendo os fantasmas que posso, do jeito que dá.

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