Às vezes eu tenho saudades de mim. Do excesso de rímel nos cílios já grandes. Fechando os olhos para não salpicar as pálpebras. Saudades dos vestidos sem panos nas costas e até das calças que herdei do meu irmão e que usava para poder viver o mais próxima possível dos garotos, etnografando seu mundo sem saber. Saudades de ser mulher aos sábados e do amor que a paixão pela vida imprime na rua, explorando os cantos como um gato. A gente sai por aí exalando vontade pra nada.
*E não sei por que, o máximo de poética que vejo nisso tudo é visualizar bem no momento da escrita o Fred Mercury no clipe de I Want to Break Free...
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