Domingo, Novembro 27, 2011
Chuva não é garoa
Vai chover, olhe pela janela, é agora! E está calor. Aquele calor de dias em que a gente escorrega no próprio sapato. Mas vai chover. Logo as noites vão ficar mais bonitas no interior. Quando a chuva passa, leva a camada de poeira que cobria as estrelas. É, eu sei, eu digo sempre a mesma coisa. O cheiro de terra vai brotar do chão, como os caracóis. É a melhor época para pegar minhocas. É a melhor época para sair à noite, tomar sorvete na praça, jogar buraco na frente das casas. Todos sentados nas cadeiras de praia. Os cachorros vão vegetar sua preguiça e calor. É quando todos se visitam, saem das casas, e quando o vizinho velho lá da melhor rua para jogar taco toca acordeon sentado na sua varanda, do lado de um opala comprado zero. É a melhor época para andar de bicicleta na chuva, passar imprudente nas poças d'agua, sentir cheiro de mato no vento que bate quando a gente desce a ladeira do lago na velocidade ideal dos loucos. E a melhor época para namorar na rua, debaixo da árvore no escuro. Eu sei, vivo influenciada pela previsão do tempo. De onde venho, é pré requisito decifrar os sinais das folhas. Por isso que é sempre essa chuva sem cheiro de terra que vem me lembrar do vazio imagético e sinestésico que mora em mim aqui em São Paulo.
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